março 2011


Um belo colégio para crianças em um cenário de campo inglês. Uma paisagem bonita em que logo fica claro que o colégio é um orfanato e nele alguma coisa não está muito certa. Não é a rigidez típica das escolas inglesas e nem a diretora durona. Não , nada disso as crianças ali que cantam e enaltecem a Instituição são futuras doadoras de orgãos e sabem disso bem cedo. Um filme avassalador como o livro de Kazuo Ishiguro  que dá origem ao filme. Uma ficção científica sem cara de futuro. Um futuro que é inexorável e inadiável . Para todos. Esse é o tema levantado por Kazuo Ishiguro o destino a ser cumprido.

A história se passa nos anos de 1950 época em que a medicina avança e faz com que se chegue a 1994 com a expectativa de vida de 100 anos . Isto as custas de doares que vem – como diz uma das personagens – da sarjeta. A sobrevivência de uns depende da morte abreviada de outros.  Quem nasceu no fundo poço permanece lá mesmo mantendo a sobrevida de quem está do outro lado. Várias escolas são mantidas com este objetivo . Isso parece ocorrer mundialmente.

Curioso mesmo é o fato que gera impaciencia na audiência que assite o filme . No escuro da sala de cinema ouvi várias vezes  – “porque esses meninos não fogem ? Eles não fazem nada ? Porque não vão para outro lugar ?”

A resposta aparece em uma das falas em que os personagens – um casal-  num ato de desespero e amor resolve tentar um adiamento de sua saga – o início do periodo dos transplantes para a moça e a terceira e provavelmente derradeira cirurgia para o rapaz. A descoberta de que não há e nem nunca houve adiamentos é decisiva.

Como adiar nossa história a ser cumprida ? Será que somos como estes personagens que nascem e crescem com um destino a ser cumprido. Eles crescem, saem da escola e vão morar entre amigos ,aprendem a dirigir , saem de casa e andam na rua , enamoram-se uns dos outros , fazem sexo  e em algum momento recebem uma carta e começam a doar orgãos e morrem. Alguns acreditam ser bons doadores. Outros percebem que sua vida é sem sentido. Alguns são assistentes e por um tempo ficam ao lado daqueles que estão nos hospitais ou em centros de recuperação . Depois também passam a condição de doadores.

Não dá para transformar as coisas . Ninguém luta contra esta previsibilidade toda. E nem mesmo uma bela história de amor juvenil transforma o destino dos personagens. Ou será que isso muda tudo mesmo sabendo que o fim é inevitável ?

O elenco de crianças me parece bem melhor do que o dos jovens na segunda fase.

O trio de amigos  que vive as agruras da descoberta da vida , do amor e da morte  é representado por Carey Mulligan, Andrew Garfield, que parecem estar em seriados de televisão enquanto anoréxica Keira Knightley definitivamente está longe de ser uma atriz que aprecio. Me causa mesmo espanto como alguém com tantos vícios para falar e colocar a voz pode chegar as telonas. De toda maneira o questionamento de nossa existência com conteúdo tão dramático e imagens tão delicadas , belas em alguns momentos me fazem gostar muito do filme.

Acredito que valha prestar atenção no figurino que transita com elegância e discrição britânica entre a sobriedade e a displicência, entre a falta e o suficiente, entre o nada e o que realmente importa para compor os personagens.

Não me abandone jamais – independentemente do final a gente vai até ele juntos ! Nisso dá para acreditar!

Tim e Fiona Slack  ( T&F Slack) são um casal que além de cair de amores um pelo otro se apaixonaram também por um dos ofícios mais tradicionais – a arte de fazer sapatos.  Escolheram trabalhar com os BROGUES – sapatos masculinos de amarrar usados pelos irlandeses pelos idos do final do século XVIII. Com preferencia pelos tipos Oxford  já nossos conhecidos e Derby ( aqueles cheios de furinhos e com biqueira pespontada). A dupla possui um olhar contemporâneo – as cores são lindas e super atuais –  mas mantendo um trabalho de artesão – são mais ou menos 150 pares de calçados produzidos por mês. Resultado : conforto absoluto e qualidade.Essas cores lindas e esse acabamento primoroso você encontra lá em LONDRES !

Democratizar é uma palavra importante na moda e para a moda. Palco de tantos discursos favoráveis ao ” tudo pode ser usado” a moda volta e meia é mais ditatorial do que outras áreas tidas como fechadas e conservadoras. Viva a mistura minha gente! Muitos colares, cores para iluminar o pretume ( que eu adoro diga-se de passagem) do inverno e estampas de VERÃO lá no fundo marcando a presença mostrando que criatividade é fashion e gastar um monte em novas coleções é : sair que nem boneco de vitrine -tudo segundo os lançamentos e além disso não é nada nada sustentável . Recicle a si mesmoUse sua cabeça e monte um look lindo misturando todo seu armário aquelas pecinhas novas – tudo bem amigos, ninguém é de ferro!!

Gente essa com cartela de cor e tudo – está me servindo de inspiração e piração total para usar neste invernozinho um modelo Ossie Clarck que arrematei!Rocker, urbano e ultra cool com os fones que ainda não comprei!

Jaqueta similar – tipo couro e etc – num look mais fácil, tipo indo para a faculdade . P.S. Isso inclui alunas e professoras , tá ?

Usando as tendências para quebrar um pouco a patrulha fashion e a mania de uniformização que anda nos trasnformando em bonecos de vitrine vou postar aos poucos o que ando vendo por aí de bacana- estas imagens vieram de outros amigos blogueiros  as fotos não são minhas . Mas a seleção – como sempre é!

Dos looks mais caretinhas – não digo quadrados só mais encaixados nos padrões – aos mais diferenciados do já visto há muita coisa boa para se fazer com o inverno ameno que temos. Esta mistura leva em consideração inclusive o armário de VERÃO já que é super bacana misturar texturas criando um belo contraste entre tecidos leves e pesados.

 

Meias e leggings são fundamentais- cobrem as pernas no frio ameno ficam ótimas com botas e completam o comprimeto de vestidos e túnicas que são curtos demais. Podem ser meias coloridas mas eu adoro o preto mesmo em suas variações de padrão ( rendas, um poá para colorir um pouquinho) !

ANIMAL PRINT

impossível não falar do assunto ainda mais se tratando de SILVIA HELENA – autora do Blog que você visita neste momento! Prometo outros posts sobre o tema gente!!!

Glasgow é uma cidade linda e fascinante. Muitas vezes as pessoas vão parar lá e adoram e nem sabem ao certo porque . Existe uma efervecência cultural em cada esquina e fora o período do Festival de artes tudo parece acontecer de uma forma discreta como se corresse nas veias do local.Este ambiente na Escócia em que até hoje respiramos idéias e experimentações foi o cenário da vida e obra de um dos gênios da virada do séuculo XIX para o século XX Mackintosh – arquiteto,pintor , artista gráfico , designer. Um inovador repleto ainda da auréola que faz revestir as visualidades de singularidade. Vejam no vídeo a Glasgow através das obras do mestre.

 

 

 

A despeito de minha quase tara por sapatos de pelo e estampa de onça e de seus parentes felinos o inverno me soa tão 1980 que nem sei direito o que me dá vontade de consumir. Não sou absolutamente contra a usar o que já foi usado e muito menos desconheço as releituras como um caminho positivo para a moda. Mas os sapatões pesadões …já usei tanto que não me encanto ainda por eles em sua maioria. Os oxford são assim comigo – não saiam dos meus pés ..agora não entram mais neles . Estou aguardando a visita à nova coleção da Melissa ( dá uma olhada no post sobre a coleção de inverno – lá você visualiza uma das opções que estão entrando nas lojas)para ver se incorporo um modelo da marca por que acho que seja uma boa alternativa ao tênis , principalmente para usar com vestidos e saias.

Fiz uma seleção do que andei vendo por ai ( e aqui ) que acredito que sejam as grandes marcas da estação (além do oxford é claro). As unkcle boots e open boots continuam – nos modelos de inverno o saldo é bem positivo porque as cores escuras e materiais mais fechados fazem uma relação entre nome e pessoa, sujeito e predicado que no verão não estava acontecendo direito! Também aparecem os modelos com barrados de pelo .. sei lá se a gente vai usar isso no RJ mas .. em outros estados rola …As peças são bem oitentonas e o que mais me incomoda é o efeito canela fina ao extremo. Ainda, como registro bem forte, os calçados abotinados com salto anabela. Nunca os achei elegantes mas sempre pensei neles como opções super confortáveis. E falando em conforto também estão presentes os , podemos chamar de Oxford de salto ou sapatos fechados de cadarço com salto grosso.Como as open boots a gente já conheçe e miséria pouca é bobagem vamos pensar nos modelos mais lindos : taí Louboutin para Marchesa.Esses são os tais com salto anabela … estou achando até simpáticos e muito usáveis. ( da Tory Burch)Na linha daqueles que em cima da tendência partem para o exótico ou mais conceitual ( que anda comercialmente  fazendo sucesso nesses modelos mais pesados) gostei bastante da proposta de herchcovitch na sua parceria com a Schultz  da Arezzo.
E correndo por fora – apostando no que continua a ser sucessão no exterior as botas flat ( ALA) que fazem a cabeça dos descolados e das marcas com linguagem bem contemporânea. Mas por fora ainda todavia … sempre por dentro de tudo a Prada vem com mocassins de salto meio 1950 mais para 1960 – LINDOS!Só para que tenhamos a certeza de que outras coisas estão vindo para aposentar os pesadões que andam marcando passo por aí… mas sem muita pressa ..dá para entrar no inverno pisando firme mesmo!

Suspeitíssima para falar deste assunto …mas e tempos em que bailarinas loucas ganham o Oscar… lá vamos nós. Tenho intimidade com o assunto pois além de ter sido bailarina por mais de 2o anos o coque é uma marca registrada minha. Tenho um cabelão grandão e pasmem os que não me conhecem : vivo com ele preso nas voltas de um coque!!!

Muito embora ache curiosa a tendência dos figurinos de balé junto a moda. A idéia não aparece pela primeira vez mas, agora é incentivada pelo sucesso do Cisme Negro que arrebatou corações ao falar da miséria humana  através dos bastidores do ballet clássico. Nessa onda de trazer tutus, tules e casaquinhos cache coer, sapatilhas e camisetas e sobreposições a baila …o coque resurge das cinzas e o que já vinha timidamente aparecendo nas passarelas tornou-se presença obrigatória entre aqueles que pertecem ao universo fashion.A musa Audrey  já vinha encantando com seu estilo glamouroso dos figurinos dos filmes mais estilosos da história do cinema.O editorial da Vogue confirmava a tendência junto a mescla de referências as décadas de 1950 e 1960.

E agora no estilo bailarina o coque se confirma como uma tendência:

O meu vem dessa inspiração aí ô:Pouco glamour, muito suor e dor e esse crochezinho que eu achava feioso !!Hoje adoro as redinhas ( escuras) e ainda descobri umas decoradas em Londres que fazem o maior sucesso !

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