julho 2011


Como disse o coleguinha Xexéo falar do último fime de Woody Allen ainda em cartaz por aqui é lugar mais que comum mas é também inevitável. Falar do filme é um clichê nos artigos dos jornais , nos posts dos blogs , nas conversas de bar. Mas é justamente o clichê que me encanta no filme . O desejo quase estúpido que todos ( ou quase) temos de viver em alguma época que não a nossa – o desejo de evasão romântico -que nos faz viajar no tempo e é claro encontrar nele o melhor de cada período. A falta de alguns confortos e  as dificuldades da vida cotidiana certamente sentidas por alguém que abandona o século XXI e se aventura no remoto não aparecem, obviamente, nesses devaneios. No filme o cenário para a evasão é Paris – cidade conhecida como a mais romântica do mundo muito embora o próprio Allen tenha dito em Manhattan que Nova York ocupava este posto.

A história ? balela de mais clichês adoráveis – um escritor que sente-se vendido para o mundo dos roteiros vazios americanos acompanhado de sua noiva riquinha encantada com um mala intelectualoide e pouco sensível de plantão.

O escritor encontra a resposta para seu presente no passado e lá estão seus ídolos na década de 1920 ! e em meio a eles um figurino lindinho e charmoso e clichê – e muitas  festas , claro Paris era uma delas !!!!!A cintura marcada nos quadris, a silhueta reta e os cabelos curtos adornados tudo isso exibidos em umambinete com mulheres  liberais envolvidades na e pela arte.

Mas um dos toques mais geniais e bem humorados do filme que mostra os escritores mais arrumados , arruinados ou pintores mais galantes , ricos ou despojados foi a deliciosa caracterização mega clichê de Salvador Dali !!!!!! TUDO DE BOM!!!!

O ator Adrein Brody dá vida a um Salvador Dali jovem cercado por surrealistas como Buñel, falando sem parar de “rinocerontes” – ultra risível e bobo se não fosse um filme de Woody Allen que é feito para quem gosta de Woody Allen e se entende bem como o universo de suas citações!

Além da assinatura de nomes expressivos no design a Melissa explora também auto referências – vamos chamar assim . Foi isso que os Irmãos Campana fizeram de maneira muito criativa e eu diria emocional. A Melissa Papel faz uma citação explícita a um dos materiais não só mais utilizados mas uma espécie de base de tudo e mais uma super tendência  de consumo . As peças e objetos de papel voltaram a ser vistas como novidade ainda mais tendo em pauta a questão da sustentabilidade ( veja alguns posts no tag papel) . O suporte dos suportes, o funcional,  o rústico e  finalmente cult –  papelão ondulado na versão Campana para Melissa.

A inspiração:

Genial não ??

O século XIX trazia para o ocidente uma nova experiência . Um mundo que saía do Antigo Regime e entrava na Modernidade as custas da industrialização e da produção em série . Ao mesmo passo, o homem , antes público , dedicava-s e cada vez mais a seu universo particular, a sua visão das coisas, ebriagando-se de forma mais delicada ou mais soturna no romantismo. As lojas de departamento surgem neste contexto –  uma galaxia de produtos sendo exibida para este consumidor em formação acelerada. Parecer com o outro , ser diferente , pertencer ao grupo, manter-se original – os desejos projetados nos objetos a serem comprados já demostravam o caminho que hoje bem conhecemos . Em 1856 o então jovemThomas Burburry abre sua primeira loja em Hampshire e depois da associação com um tecelão desenvolve a Gabardine que mescla a funconalidade do tecido impermeável a um modelo de casaco que tornou-se um clássico. O crescimento veio principalmente depois da criação de capas e casacos para os pilotos da 1º Guerra Mundial e posteriormente o cinema imortalizou o trench coat Burberry como um dos ícones da moda.

O garoto propaganda de maior categoria do mundo!!!

E da mesma maneira que sabemos que os clássicos são eternos sabemos também que desde o século XIX e da economia de produção na sua primeira fase reinventar é preciso. Motivar o consumidor e criar apelos emocionais que o vinculem ao produto é uma das essencialidades da moda, do consumo e da sociedade contemporânea. A marca que faz parte da história da moda e da Inglaterra passou por uma excelente reavaliação e vem consolidadando seu nome como MARCA DE LUXO com uma cara atual e urbana – o que tem tudo a ver com A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL, COM A INGLATERRA E COM LONDRES.

Olha só o que a  Burberry desfilou :

 

 

 

 

 

 

Tradição, Modernidade e a emoção da novidade em plástico deeply red!

Na onda dos revivals … a década de 1960 também aparece como uma daquelas que estão marcando presença forte na moda. São os vestidos tubo que querem entrar nas paradas para ficar, são os colors blocks que vieram de lá e reapareceram em 1980 e ainda , claro , os mocassins de salto mesmo que em algumas versões bem reeditadas – são a cara dos sixties! Na europa o revival também está nas Beatles boots …Sabe aqueles sapatinhos que os garotos usavam com as calças bem justas ?? pois é Beatle boots Além das peças que são idênticas as usadas pelos meninos de Liverpool as novidades vem em texturas e cores bem bacanasE é claro que a maneira de usar … faz a diferença!E que tal um menino de Liverpool 2011?

 Os anos de 1980 parecem não nos deixar levar uma vida normal! Fazem parte de um passado recente – embora os adolescentes achem que 198tão , Tão , Tão Distante quanto o Reino da Fiona do Shrek !! – Não definitivamente não vou falar de blocos de cor. Já sei que eles estavam lá nos idos de 1960 e voltaraem 80. Fiz trocentas matérias sobre isso  época em era jornalista de moda na Revista DESFILE da extinta Bloch Editores. Escrevi sobre gente que fechou, quebrou,sobre quem nos deixou e sobre que não quem nunca valou a pena falar  e sobre  peças lindas do maravilhoso Heckel Verri que , felizmente , até hoje continua fazendo muito bem seu trabalho! A década de 80 continua presentérrima – estou aqui a fazer posts sobre as saias longas que  sempre usei  e depois enjoei – e ainda me lembro que tentei explicar sem nenhum sucesso para uma aluna que as calças saruel ( super 80)  não eram exatamente uma novidade. AMO AS LEGGINGS( mas 80 impossível) – quem me conhece sabe – mas não vou falar de color blocking! Meu coleguinha do ALTAS HORAS vem trazendo zombies para seu palco – Nenhum de nós, RPM ( lamentável o look do Paulo Ricardo) … Tem gente que gosta, tem gente que acha que perdeu a graça mas não importa eu não vou falar de Blocos de cor , ok ?Imagem : Gucci

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