junho 2011


Hoje li em uma prova que no passado as pessoas não se importavam com a função e em seu lugar somente com a beleza dos objetos . Minha gente vamos ter calma com essas declarações : o fato de no passado ( digo no ínicio do século XX e no século XIX – junto ao desenvolvimento industrial onde a economia encontrava-se na sua primeira fase de produção) os objetos ao olhar de hoje parecerem rebuscados se deve  a maneira do período expressar sua busca pelo aprazível. O  confortável aos olhos era o bonito de ser visto e  neste sentido o aprazível do passado parece rebuscado nos dias de hoje . E sentido parece ser a palava-chave. O sentido muda na mesma medida que as transformações sociais impõem novas necessidade e funcionalidades aos objetos. A preocupação com a funcionalidade sempre existiu mas foi manifesta demaneiras variadas. No século XIX a CHATELAINE que  é vista na imagem era uma peça ultra funcional e repleta de significado simbólico. Feita em prata ou em materiais menos nobres falava da multifuncionalidade de se ter tudo a mão , na verdade na cintura . E simultâneamente falava do domìnio feminino do espaço privado. Um cinto de mil e uma ultildades usado pela rainha do lar, pela dona de casa que resolvia as questões relativas ao seu espaço – o privado.

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Sempre repito aos alunos que pensar dá trabalho e inspirada por Deleuze digo ainda que é preciso fazer uma certa ginástica com o cérebro e dar tempo ao pensamento para que ele se expresse.

Neste semestre corrido e tumultuado tive gratíssimas supresas que me deixaram não só satisfeita mas igualmente mais crente ainda : quem faz coisas boas é quem é bom e, quem é bom é quem pensa!

Na frente vem a galera da turma de História dos Estilos -PUC – o trabalho que fizemos na base da experimentação conceitual teve excelentes resultados desses que dariam tranquilamente para escrever um artigo e apresentar em um congresso por aí . O trabalho de seleção de imagens, desconstrução e montagem seguido de texto apresentou novas perspectivas para o debate das imagens contemporâneas como possuidoras da capacidade de mediação social – ou seja, a partir dos universos revelados individualmente conseguimos ver que vivemos no mesmo mundo e – pasmem ! – passamos pelas mesmas situações, emoções e partilhamos os mesmos sonhos e aflições. Vocês são um luxo e merecem aplausos!

Na aula de História da Indumentária – PUC- tudo trascorreu bem e a maioria dos trabalhos apresentados foi de qualidade mas se faz necessário destacar o Memory Book da Ingrid que é de PP e  fez um trabalho INCRÍVEL mostrando domínio da moda , da história e construindo uma belíssima memória das aulas – que ela me disse terem sido “iluminadoras” . Obrigada Ingrid – esse sem duvida foi um dos elogios mais bacanas que já recebi!

Na aula semiótica minha luta para fazer os cérebros fazerem ginástica continua e parece que as vezes dá bons resultados . Mas no caso da Gabriela Veras essa ginástica ela já faz então no final do período além do trabalho da caneca apresentada em 3 sentidos diversos que eu adorei – a luminária e a caneca Starck são nota 10 – ela me mostrou também o trabalho desenvolvido com Cristiano Mere outro ex aluno cabeça pensante. Belo vídeo com questões que fazem parte das reflexões a respeito do estilo atual , da produção de imagens contemporâneas e do que somos nós e nossa civilização de imagens.

De presente nesse semestre ganhei também um pessoal de primeiro período muito simpático e que promete : promete coisa boas . No Centro Paulo é genial e seus amigos – que parecem inseparáveis também me inspiram a acreditar que o design é mesmo a profissão do presente e do futuro. Na Barra a sinceridade também apareceu e isso não é para se desprezar nos dias de hoje . O mercado precisa de gente apaixonada: por isso Nelson  seja muito feliz e continue levando seus sentimentos para a vida , a sala de aula , o escritório.

Antroplogia da Moda : BOMBANDO – textos etnográficos excelentes! O resultado vem de pesquisas de campo e da observação de grupos urbanos . Tudo publicável , tudo o que eu espero que vocês possam ler em breve .

HIstória da Joalheria: sensacional ! Os estudos sobre história e significado simbólico cada vez me encantam mais e a cada semestre os books e exercícios produzidos me deixam mais entusiasmada!

Assim termino este longo post antes das férias dizendo que foi um prazer . E finalizo também não esquecendo da elegância e do interesse do Eduardo( UNESA) , da vivacidade e interesse da Thalita (PUC) , da euforia do João Batista(UNIPLI), do talento da Amanda(UNIPLI) e do fantástico trabalho das lâmpadas apresentado na aula de semiótica!

Lindo , emocionante – Ronaldo Fraga vem se especializando e falar de design de moda emocional nas passarelas. Que a moda é um fenômeno catalizador de emoções a gente já sabe ou pelo menos nossa vã filosofia tem pistas sobre a paixão por objetos e a necessidade por coisas absolutamente desnecessárias que devastam nossas vidas … Mas Ronaldo é um mestre e com maestria fala de emoções nobres e belas. Fala do amor , da delicadeza, da bondade que existe nos corações… a gente vê os desfiles do Ronaldo e acredita no potencial criativo , nas “maquinas de guerra” Deleuzeanas e na moda como linguagem que pode enunciar e anunciar algo com história, contexto, vida !

O tema desta vez passou como muita gente já fez antes pelo Carnaval . Mas Ronaldo Fraga falou do Carnaval de 1930 , de personagens como o Pierrô e Colombina – fantasias de um tempo aonde os festejos de momo eram quase que ritos de sociabilização diversos dos atuais.

O desfile ao som de sambinha acabou em festa – backstage e coisa e tal por ali felizes da vida !

Uma proposta de verão bacana de se ver – como sempre e felizmente nada de insinuação , de ser sexy até cansar, de exibir até enjoar. Um feminino romântico e urbano e, mais que isso, inteligente!

Esperar Godot nos faz saber que o homem sabe pouco a seu prório respeito e que é impossível tecer uma história de si mesmo coerente, com começo, meio e fim . Esperamos o que não sabemos e quase sempre a espera não acaba porque tudo o que se passa não é diverso do que já vimos.

Felizmente as vezes ainda temos supresas que fazem a moda manter sua caraterística de falar da novidade.

Assim a espera por André  ( LIMA) e Ronaldo (FRAGA) fizeram valer uma das mais tediosas temporadas de desfiles que já fiz parte. O trabalho do pessoal que desfilou em SP é muito bom e o evento , como todo mundo já sabe é super bacana também . Mas os discursos , as pessoas comentando o óbvio e o desfile de inutilidades que deixam a moda com cara de estupidez e quermesse me deixam desanimada.

ANDRÉ LINDO LIMA – Sou fã do André desde da Casa de Criadores etc . É um designer de roupas de festa que é uma festa também. Seu desfile foi interessante porque tudo o que André coloca na passarela é bem relacionado a sua proposta de elegância , de eventos , de ocasiões especiais. Não é para todo mundo , não é para toda hora, não é para quem acha que menos e pouquinho são mais ! e ponto , e ponto final !

Amei a mulher chique e mais séria que André colocou nas passarelas – a segurança de um feminino que é feito por quem tem absoluta certeza do que faz ! Domínio na modelagem , nos tecidos , volumes e caimentos – a despeito das assimetrias eventuais que a meus olhas não emocionam tanto como os volumes extra de coleções anteriores André Lima é um nome que pode levar fácil o selo da Alta Costura.

P.S. Os sapatos da coleção são MARAVILHOSOS!!

Inspirado na cestaria – arte e trama que pertence as culturas ligadas e Era do Costume e portantanto a tradição – Eduardo Pombal fez mais uma vez um trabalho honesto , limpo ( apesar dos padrões geométricos e das assimetrias na modelagem) e acima de tudo profissional. Apesar de achar outros desfiles mais impactantes e gostar mais dos invernos dele do que dos verões – Eduardo é mega sério ! Sabe tudo , domina os tecidos , as modelagens e manda bem naquilo que exibe como produto. Os modelos trazem o conceito da coleção – idéias importantes como a geometrização , a  silhueta reta e a cartela de cores.

Olha só o que vem por aí : uma promessa de clássico !A Melissa Eagle vem dar continuidade ao desenvolvimento dos scarpins que voltaram a uma posição de destaque na moda  e que a marca vem testando mas sem muito resultado na performance no que diz respeito a ergonomia. Na esteira do revival ( eterno) de 1980 e apostando na permanência da meia pata embutida ( plataforma frontal escondida) a Eagle parece ser uma acerto da Melissa . O sapato é confortável, parece não sair dos pés e ainda tem ares de elegância atemporal. Fecheado na frente e vazado no calcanhar com uma espécie de colméia o modelo Eagle tem chance de explodir – mesmo no verão – no preto e nas cores tipo vermelhão sexy.

Gente os desfiles do SPFW me dão ânimo há um tempão . Nesta edição começo com a impressão de que o que estamos vendo nas passarelas profissionais tem muito em comum com que vemos nas escolas de design nos projetos finais dos alunos . Ônus ou Bônus ? ambos ! As propostas dos alunos ganham caráter inventivo e ao mesmo tempo abrem passagem para versões comerciais mas por vezes se perdem no amadorismo do excesso de informação – muita assimetria , detalhes explicativos das referências de pesquisa, por exempo. Já os profissionais tem experiência e utilizam o tecido correto, a modelagem já testada e apostam em uma linguagem mais depurada sem perder o assunto/tema que desejam abordar . Contudo, parece que este ano um lado anda bebendo na fonte do outro ….ônus ou bônus ? Ambos ! Mais gente anda estudando e trabalhando moda como design e não somente estilismo  – mais gente anda arriscando mais gente anda se perdendo também – no final acho que o saldão é positivo o mercado cresce e novos nomes aparecem .

No SPFW a Animale abriu os trabalhos atraindo a simpatia das consumidoras de tudo que a marca coloca na vitrine – como nome e sobrenome – Animale dá os produtos a cara que as consumidoras gostam e aprovam. Desta vez os mares do sul a Côte dÁzur e as férias chiques aparecem como tema e colorem o verão Animale com uma cartela azul que vai até o hortência sem felizmente chegar a exaltação do turqueza em demasia. Calças mais soltas , camisas idem e a textura da seda imperam num clima de calor ultra cool.