O filme O Corvo entra no hall das películas de supense policial . Ambientado no século XIX , ainda  sob a auréola do Romantismo a história na verdade é uma ficção sobre a vida , ou melhor , os últimos dias de vida, de Edgar Allan Poe. Poe foi é sempre será um dos maiores escritores da face da terra. Dono de uma verve emblemática da época em que vivia , transformava a angústia dos novos tempos da cidade , da industrialização e das multidões, que faziam o homem se perder de si mesmo, em temíveis fantasmas. O universo de Poe é macabro e sombrio talvez como o lado mais escuro que nos assombre quase que diariamente….o medo de nossos próprios atos é o grande vampiro que suga as forças de quem tenta resistir com uma boa imagem, aparência. Pois bem , O Corvo mostra o escritor falido tentando sobreviver em busca de mais uma publicação inebriado pela bebida e por um amor de difícil aceitação. Anabell Lee sua jovem e frágil esposa de 14 anos – como cabia aos casamentos no século XIX-  é mostrada como uma jovem mais vigorosa que o ama e que tenta vencer a resistência familiar ao enlace do casal. Tanto quanto na sua vida real o filme mostra Poe em meio a desacertos mas também dono de  uma inteligência privilegiada que o torna capaz de desvendar crimes… e por aí vai a história que não faz do filme um dos melhores mas não o deixa cair na sarjeta. Este lugar nobilíssimo em se tratanto do século XIX só é digno de homens como Edgar Allan Poe !

Os figurinos do filme são bastante corretos e espelham um masculino discreto e sóbrio bem ao gosto da nova imagem que colocava o homem em um lugar de seriedade – uma oposição clara aos hábitos , agora criticados , do Antigo Regime aonde bordados , plumas e brilhos compunham a aparência do cortesão, do súdito da monarquia. No feminino pouco aparece mas a cena do baile de máscaras parece eficaz em termos de retratação sem exagero do romantismo com seus espartilhos , volumes e penteados com cachos lateriais.

John Cussack se sai bem na pele do gênio do horror – não é uma interpretação brilhante mas acredito que este seja um problema meu . Minha paixão pelo escritor e por seus personagens que saem de si e acordam no abismo do nada não me deixam alternativa a não ser dizer que é muito difícil ser Edgar Allan Poe em qualquer circunstância!Sem dúvida meu favorito : o cartaz em espanhol !

O Gênio do horror ! Leitura obrigatória para quem gosta do gênero – fortemente influenciado pelos contos góticos e para quem deseja entender os fantasmas do século XIX e da transformação da economia , do tempo e da vida.

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