Conforme andei prometendo aí vão algumas observações sobre o que passa na telona e neste caso aqui na telinha e que relaciona-se a História da Moda.

The Tudors é o seriado que colocou Henry VIII ou Henrique Oitavo na boca do povo agora, aqui no nosso tão espelacular século XXI. Digo espetacular porque vivemos na cultura do espetáculo, das luzes da ribalta, do culto a celebridades instantâneas e acabamos por apreciar a história na medida que fazemos dela uma encenação muitas vezes mais parecida com uma novela mexicana do que com os séculos passados. O Renascimento na primeira metade do século XVI, período onde vivia   um dos mais famosos membros da realeza britânica não era um momento qualquer – podemos até arriscar e dizer que as emoções de fato andavam a flor da pele . A Europa transformava o panorâma da experiência medieval em um mundo de homens regidos por outros princípios que não a fé em deus. A crença no criador continuava a fazer da sociedade uma cultura religiosa mas sua relação com deus era bastante diferente. O dito “novo homem ” acreditava no que estava acima dele mas se percebia potente, capaz e por isso mesmo tinha a potencialidade de questionar, inventar, brigar.

Neste contexto vemos um rei jovem, viril e ocupado em fazer da Inglaterra um território autônomo e forte. A despeito de suas decisões políticas o seriado de televisão prefere mostrar como a alcova do Rei Henrique interferia nas suas decisões “estatais”( usos as aspas porque o conceito de estado ainda estava em formação).Recheada de cenas de nudez ou quase isso a série apela ao máximo para uma versão sexualizada da história. O elenco é irregular mas no geral funciona relativamente bem. O figurino é um caso a parte . As estruturas das roupas do período estão corretas mas um certo glamour a mais deixa tudo muito novo em folha sem cara de uso, cotidiano, memória. No personagem principal um galã do cinemão atual faz as vezes do chamado turrão Henrique . Considerado a seu tempo como um padrão de beleza seja lá por seus atributos de fato bem vistos para os modelos da época, seja por sua condição e poder que o faziam belo , o fato é que o ator inglês que atua como o Rei não tem a força necessária para o papel. É jovem , vistoso mas suas caretas não me passam a empáfia do homem que ao fundar a igreja anglicana rompeu com o vaticano, colocou a Ingaterra em uma posição de destaque e de quebra ( muito quebra- quebra mesmo) iniciava a seu modo a reforma protestante.

Voltando as peças de roupa – o figurino do Rei tem belas peças mas algumas não correspondem exatamente ao que era usado. As roupas femininas são muito decotadas e na maioria o colo aparece – explico: a pele nua raramente era notada pois os decotes eram recobertos pela camisa branca ( uma espécie de camisola de linho finíssimo que era usado por baixo dos vestidos. Vestidos no plural porque na época se vestida no mínio dois). Neste periodo – até 1650 aproximadamente o espartilho ainda não era utilizado apesar do corpete ( parte superior da roupa feminina) ser bem apertado. Mas mesmo assim existe um exagero na suspensão do busto – as formas ficam mais parecidas com as do século XVIII.

No mais THe Tudors e sua maneira apelativa de narrar a vida de Henry VIII vale por despertar o interesse pela história e em particular pela história da Inglaterra que é de fato muito interessante neste período . Dados os feitos de Henry VIII e do reinado de sua filha considerada bastarda Elisabeth I – a pequena ilha isolada como era chamada transformou-se não só na maior potencia euro
péia como ainda ditou moda em termos de tonalidades, jóias e adereços. A propósito  cartela de cores do seriado é eficaz … em algumas cenas se exagera no brilho mais presente em épocas posteriores. O filme A Outra passado na mesma Inglaterra e contando sobre o mesmo Rei é mais preciso neste sentido …Mas A Outra é assunto para outro..post

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