feliz

Que o homem é um animal social eu já entendi. Juro que não foram às mil e uma brilhantes aulas de antropologia que tive na vida que me ensinaram isso. Mas o que estudei ao longo dos meus dias só aumentou minha crença em que vivemos em grupo e que nos esforçamos para fazer parte de alguns deles a todo o momento. Não me considero uma pessoa muito afeita a atividades digamos “coletivas” e não me vejo como um ser anti-social por esta razão. Mesão interminável e barulhento  no restaurante, grupo para sair a noite , para viajar , para alugar casa…humm… juro que isso não é comigo. Aparentemente não vai aí nenhum problema, mas o problema começa a existir no momento em que você se declara avesso a algo no meio de indivíduos que imaginam que o que praticam seja interessantíssimo para toda a humanidade. Se você não gosta de passar seu verão ao sol correndo em direção ao mar, se não gosta de ir à praia e se jogar nas ondas sem trégua com várias pessoas e se divertir (diversão??!!)– você possui alguma coisa errada. Se você não gosta de mergulhar quando todo mundo mergulha, de aprender a dançar do jeito que todo mundo dança, de andar em bando, e principalmente se você é desses que está em um lugar e não precisa fazer nada para sentir-se bem nele, lá vem você errado outra vez!

Gosto de fazer muitas, muitas coisas na vida. Já viajei meio mundo, já dancei, já assisti coisas belas e dei inúmeras risadas, já chorei um pouco também. Já li de montão, conheci gente e aprendi a escolher. Por isso constato que existe uma meia dúzia de outras coisas que não suporto e a essa altura não são grupos e nem indivíduos que vão me convencer a fazer o definitivamente não me diverte, não me emociona e não me apraz. Não me parece difícil entender que uma pessoa não goste do que eu aprecio e que recuse a minha oferta a participar de algo por mim proposto, mas as atividades coletivamente praticadas devem causar ou uma inebriante sensação de serem absolutamente incríveis ou de serem totalmente necessárias a alguém. Pois eu digo: qualquer uma destas práticas que podem e devem ser su-per- di-ver-ti-das para alguns são absolutamente enfadonhas, desconfortáveis e tediosas para outrem. Quem não gosta não sente vergonha de participar, não está esperando a próxima vez para começar, não precisa de incentivo, de gente empurrando ou chamando. A felicidade de uns soa como simulação para outros. É preciso que se compreenda a recusa, a negação. Quem sabe os que cultivam essa “coletividade” aceitem  -sem pensar em conversão  -quem fica de baixo da barraca, quem prefere conversar a gritar, quem gosta de rock e odeia axé, quem prefere frio ao calor, o preto a cor  – quem é social por viver em sociedade e não por participar de atividades

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